Olá de novo
sou mim
ssssou
mimmmm
com papel de parede de bonequinhos
astronauta, planetinhas
eu te abro no firefox e
encho letrinhas, teclas
ficar achando as palavras em série
e daí postar. Imagino ler, e ler, e
postar. Click!
Lição para
guardar à vida
toda. Delicioso
é
surpreender-se
a si mesmo, de repente,
já num rumo, já num ritmo,
numa vida que vai indo, e geringonça
e prafernália
e coisa-doida
derrepente des-sou e sou eu outro
supresa do ano novo
beleza
Invado corpo ombros braços sou
como dedos adentrando-me essa
luva
sou uma luva
meu corpo é a luva onde entro
meu corpo é a meia onde entro como um pé
eu lhe preencho.
Bolinha que
quica
em minhas mãos, ela
sobe
eu salto em seu encalço
golpeio
vai longe! alcance!
e de repente está de volta num
pulo que dei, os dedos voam
espalmo bato me espalhaço
para
nada

ponto do time deles
e eles rodam..


receptividade


eu digo sim
uma planta verde, o caule
vicejando verde verde que
não quebra, elástico
cresço uma alegria amarela,
meu sol da barriga redonda
eu sou um mundo donde
crescem quatro pernas e
quatro braços. Minha seiva
corre de olhos úmidos, as folhas se abrindo
sim! virão machadadas, mas
com meu sol devoro a merda
como adubo para erguer-me
pináculo de seiva verde
lião de vento
trepadeira
como são feitos os dias?
desperto, enrolado nos lençóis de tempo
camadas geológicas se amassam nesse sono inconstante
refluxo do rodamoinho da cama
eu pisco e sou de novo já quem fui dez anos atrás. A página virada
deu a volta, quem diria?
Será esse livro
um caderno de espiral - talvez os relógios são bem certos
com seu eixo no meio. O tempo volta. Tou à beira do comêço dessa vida.
Tava vivendo mas - a página foi, virou.
O tempo muda.
Afastei o cobertor, o quarto
voltei ao travesseiro. Eu sou de novo.
Eu posso?

Mas se a casa é um navio
Então – e a vida
Esse turbilhão de mares ao nosso redor
Ah o tempo!
Que mau tempo
A tempestade

Eu que nunca saí de barco
A singrar mares, eu
Que nunca li os ventos
Eu que temo
A ventania, quando sopra

Ainda assim,
Como a escrita que singra o vazio
Esta casa arrojada, empina-se
Eu marinheiro, lhe ato cordas
Enfuno velas,
Encho a geladeira de comidas

Ah!
O almoço é grande
o atributo
é a letra
mais o tributo
neste país de Cocanha
comer figos, rasgar a casca seca
enterrar-se na duna de farinha torrada
comê-la, sugar água das rachaduras
do encanamento
Gostosamente, põem as máscaras coloridas, com cornos e focinhos pronunciados, vibra de vermelho, e cada tanto em quê, não se sabe, mas as trocam, a ponto de só terem de referência tais roupas endemoniadas, perdidos os nomes nesta ciranda de faces trocadas.

A fina
ponta dos meus dedos
risca o contorno
das suas orelhas.
Desfaço mechas
e nós
como um pente de carinho.
Afago em ondas, preguiçosas.
Meu nariz, eu aproximo
roçando agora também os lábios
e o cafuné se perde
em um colo de beijocas bobas e
amor ao seu perfume.

Tão quieta, a noite
você dormindo.
vai! maria antonietaaaa-taratata-tará-tá-tá!!!!!
decapicá decapitá
vai, vai!
marieta-marionetaaaaaa! trá! trá! trá!
Nela, nesta mulher
os homens entravam já grandes
nela enraizavam, e cresciam.

Cultuavam a deusa
mulher vagina, onde
pelo umbigo enraizavam.
C é U



          e
    o SS
P         o
otinbsow
mosquito

chupar do dedo furado
renascimento

suicídio do autovampiro narcisista
A       nariz
B    + nariz
___________

C    2  nariz
asse essa
ss   ss  ss
assa esse

asno
ouse
o
ss
o
Procuro, a brecha, a falha na parede,
na rocha rija que nos impede o gozo,
o vão em que me enfio,
corpo e alma, cunha humana,
cinzel para abri-la e vê-la jorrar.

Completo estou, de fantasmas serenos,
que mais valia partilhar, estendê-los em varal
pelo mundo, em sua trama de arames
que impede a rocha de se fechar.

Mais urgente então, encontrar o ritmo,
e, aos solavancos, fazê-los sair,
um a um: vesti-los de letras, estátuas de tinta,
cristais duros que se encaixam,
tomam rumo, formam-se mosaico
e quebra-cabeça. Nenhum nexo
estas letras em solto, mas o que aprendi:
expandir, multiplicar, deixar o duro ritmo das estacas
tomar conta, e a trama, impossível,
se deixará formar.
Procuro, procuro, a palavra certeira, a frase, o ponto exato do corte-começo do texto. Por onde o que é plano se torna Linha, sucessão,
desenvolvimento, Combustão.

Feito o furo, é só seguir seu percurso, o pior já está feito. Um corte, a caneta fura o papel de repente e a tinta começa a jorrar.

Mas onde deve ser lançado? Onde o furo, onde a brecha, a falha que permite entrarmos, picareta em punho, dentro do quadro?

Estou sentado, pensamentos ao vento, nuvens passam e eu atento, com minha armadilha de pescador.

Lancei um anzol no céu, pra pescar o sol - e de quando em quando, me sobressalto, faço menção de bater a faca: é ali!

mas não, o momento se esvai, ou nada pior que resvalar o cinzel na pedra, riscar o duro. Tomado o ponto falso,

a caneta quebra, a ideia morre... procuro, procuro, o tema, o contorno, a figura falhada que rebenta num fio de pedaços,

tornar-se então isto, um percurso, um gesto, uma jogada de corpo no abismo, um desfiar da nuvem em novelo, algodão,

e esticá-lo, e cozê-lo, tessitura do texto.
escrita rio, a linha da cabeça jorrando
não escreva poemas de amor
- vai que ela já é poema

Tenho medo do vento. Pare, vento, de soprar tão forte! As árvores vergam, levadas pelos seus chumaços de folhas, como velas de navio. Não, são os navios que as imitam. Pare, vento, de soprar tão forte! De estalar a casa, e apertar as portas, as janelas. Deixe o que está quieto, estar! Deixe estar! Pare, deus do vento, ó, deus do vento. Parece sempre que tem gente aí. E não terá? Vento! Que susto você me dá! Não consigo o sossego com você soprando! E a casa toda em ruídos. Movimentos. Que fantasmas voam por aqui? E se, e se é certo, e se é justo o inverso, e se são as árvores a soprar e dizer, a espirrar em nós, afoitas e com seus galhos carregam o ar e nos cobrem? O som parece a chuva, tocando gotas nas mil folhas. Mas vem em ondas, emergências, urgências. Como se houvesse Algo que se pudesse fazer. Me deixa à espreita, alarmado, esperando. Esperando nada. Com medo. Medo do vento que sopra tão forte que uiva. Que bate portas e derruba árvores. Que vem do céu! a raiva dos ares. É só o ar, escorrendo de um lado a outro? É mais. É um medo na terra. Um medo do vento que vem invisível com seus dedos de frio nos assustar da cama para esperar, em prontidão, que ele se vá. Que o ar se acalme, que o invisível largue suas raivas e se acomode. Oxalá seja logo. Oxalá dure pouco. E se escrevo, peço, que seja logo. Que o vento volte a dormir, e eu possa, novamente, dormir.
Em Harmonia, quando não precisarmos ir a parte alguma, os carros serão brinquedos de freiada, do gosto do seu ronronar. Atolemos alguns para ver a roda cuspir terra, afoguemos outros para borbulhar fumaça n'água. Sem combustível, serve de armário e pra esconder gato debaixo. As crianças vão adorar.
No início só havia gado e galinhas
tudo era prédio, a perder de vista
enorme massa de concreto, e criadouros
dos animais comestíveis. Eis que
principiou a decadência, novas
galinhas transgênicas, voavam, piavam
faziam ninho no topo do edifício
que por sua vez ruía, virava areia. O mar
apareceu dum enorme vazamento
na fábrica de água. Um cano estourado
para horror dos ambientalistas. E o desastre
somente aumentava, e derrubava
parte dos quarteirões bem-alinhados. A praia
começou na portaria, e foi crescendo.
Peixes de aquário fugidos, viraram tubarões,
antes produtos kitsch, de brilhar no escuro.
Muitos robôs perdidos
e corroídos, perigosos, contribuíram
para a selva. Ferrugem, energia solar,
mais uns quantos em coma, vegetativos,
cresceram musgo e fotossíntese, corpos dormentes,
daí veio as árvores. E as galinhas,
de bico cortado, fugiram
nos mais variados estilos, umas
de asa grande, outras correndo, nadando
sobre dois pés, as mais altas,
já nem cacarejavam, riam
os ovos chocando do lado de dentro
criando nos ninhos, de palha, paredes,
até criarem domésticos, uns animais
humanos, de engordar
e comer.
Ele queria foder muito seu carro
enfiar o pau pelo cano de descarga
roçar o aço, o pau no buraco da gasolina
no motor, encher o estofamento de porra
Eu? sou um sangue
tinta de carne
um resto de tinta
sedimentado, num canto do quarto
juntando
como uma poça dágua escorrega
pra dentro da cama
A cantora de ópera tem
na unha do pé uma cor:
ESMALTE! ela grita, soprano
o braço branco do dinheiro
milionários risonhos e maravilhosos
Completar o engradado

- geometria alcoólica
desafio estético -

são vinte e quatro garrafas
de felicidade
de seu carro vermelho
parada na estrada
gordinha senhora
abana, frustrada.
Página vazia,
bem-vinda ao não ser!
Compreendo teu esquecimento,
teu relegar ao tempo,
teu subjugar à memória
e ao vento.
Sou também perpétuo desfazer!
Deleita-te no teu leito de telhas leitosas, ó luta tardia, duelo do tudo e do dado. Dadaísmo de tolos, no lodo do labutar, baloiçantes de lombos, balidos, mar. Nego-te, senão, nem pensar!
Barulho: em alemão
barulho é Barulho
com B maiúsculo - mas eu
tenho um verbo e
eu barulho e o barulho
do meu verbo é
minúsculo
Duvida que eu faça um poema?
É assim: teu sorriso gira.
Alguns dizem que é a meia-lua rindo
a simples beirada da lua cheia - eu não.
Sei bem que está ali escondido
um círculo inteiro
rodopiante redemoinho
engolindo navios desavisados;
e que seus olhos são dois torvelinhos
infindos que o cercam;
e fico eu navegando
nos oceanos irrequietos
girando, porque seu sorriso
é a lua cheia escondida
me tragando e me engolindo.

eu amo, ela drama
depois inflama
não sei porque reclama
empredadores
e represas
estas corações da cor
coragem sobre mim
o oco da boca
(não cabe)

labio de la biografía
vida e volta
sapato e espírito
meus nervos de espaço
aceito conceito
           congelo
           comprimo meu primo
nada nem que a gente morra desmente o que agora chega à minha vó
aturo
costuro
futuro

ouvido duvida, ouviste a revista? ouriço ou eriça - o urina ouro...

- Olha, você ou viu, ou ouviu.
- Ou vi.
- Espera, você ouviu ou viu? Ou ouviu ou viu! Ou viu ou ouviu - ou viu - ou ouviu; ou viu ou ouviu ou viu ou ouviu ou viu ou ouviu ou viu ou ouviu ou viu -
- Chega que eu intuo tudo telepaticamente
a UPP papou papai: pá-pum!

o papa Pio poupa o piu-piu
engole a gula a
guloseima
em goles

golias en
golia a
engula
enguloseima

lenguloseima lêngula
a lêngula lengolias alengula
lengoles aos goles um golinho
agolias língula golula, logulaseima
entro por um ouvido mas não
consigo sair
por favor
Picotar picolé de html alcaçuz. Zarabatanas de néctar em cima dos meus punhos
poesiapoeira
poeirume
poesinha

ambrosinha a broesia
novembrosia
mandumes de baleias
manadas de cardumes
manadumes de nada
cardunadas
Uma maçã inteira
Já está pela metade
E na terceira linha
Terminou.
só acredito
VENDO
a ave viu a vulva e voou

o uivo vivo
a alva eva
o véu é vil

o olhouvido ouvê
converso a conversão, converto
subverto
desvirtuo virtualmente tudo
a virtude
é conversível no reverso, irreversível
me divirto
verto advertências na vertigem
vertical aversão,
avesso do perverso
observo o servo reservado
rejeito o sujeito, desse jeito
ejeto o projeto objeto, injeto o dejeto

dissidente do dissídio, presidente do presídio, subsídio insidioso do assédio acidental, era acidez, incisão, rescisão do resíduo sideral
jangada de junco gingava de gim
jejum de jongo, jegue
mugia vagidos
vagia aljavas
gelava javalis
eu ouvido
tu revidas
elæ devidamente,
devidido,
dividedo -
nós duvideodamos
vós...

o profeta do prefeito

feitura pura do enfeite
infectado de defeitos "afetuosos"
- confete na confeitaria

oprimo meu primo
comprimo, reprimo
(exprimo, imprimo o comprimido)
deprimo; suprimo
consumo, eu quasi sumo
é o quasi çumo
nós quasi sumo... o quê?
- eu conçumo, tu preçumes, ele çume
- tu preZumes, com 's'
- eu açumo, tu reçume
- reZume!
- eu cumo tu comes ele recome
- eu como e recomo, me diz, como?
(interrompendo)
- olha aqui vocês vão parar com essa PALHAÇADA senão eu janto e sobremeso os dois
a poesia é a língua dos olhos nágua
o sentido na linha dágua
o sentido fora dágua

é a sede do peixe
if i tit
if i fit tiff
if it tit

if tit, fit it tiff
i f t i t f i t i t t i f f
morada da letra
só a poesia é cega
porque ceia
eu sim tu sou ela céu
eu sol tu sal ele seu
cego do sussego ego
in sul tu sol
eu sem tu'a mão
um leão branco leitoso correndo em meio um tufão de animais leitosos mármore de vida branca quasi plantas, eu no jardim desta mansão imensíssima de que desenho os quartos; elis passão por mim eu deixo um dálmata e mais outras cair dos meus braços pa que a turba a leve rodopiando.
bate o sino, é hora, é hora d'algo
tô feito estética perto da perspectiva do estetoscópio perfeito
tu perturba a turba
percebe o sebo?
perigo do amigo não, peramigo, peraí amigo
nova barriga 30 horas
barriga que não fecha
esse é o edifício brabo
foi construído entre a fábrica de frio e o corpo do bombeiro
tinha um jardim na barriga
mas
veio o jardinheiro -
eu vomitei antes que pudesse continuar
simplex
complex

(perplex)
complexo complico
completo conflito
repleto reflito, replico
aflito eu aplico

eu aceito tu receitas
eu concebo
tu percebes
ela recebe
nós decepcionamos (eu decepo)
vós excepcionais (desta vez)
e eles,
susceptíveis que são,

não passam dessa frase

eu aplico
tu implicas
ele explica

nós complicamos
vós replicais
eles suplicam
Um homem entra, sua bota entra, a porta entra no quarto seguida de cadarços militares em estrondo, o fuzil nos meus olhos e daí à mudez absoluta enquanto ele vira e revira minha alma procurando algo e eu espreito, em fascínio, o olho negro da morte a me mirar. Ele se vai.
Corpo, usina de sangue, girando sobre suas máquinas; alimentando-as de ar e combustível, retirando-lhes a fumaça

le sang

azul é o sangue do céu
que cai em córregos e forma o mar
que sobe ao ar e engrossa e dobra
manchas amassadas de mar branco
- Este é meu cãozinho Tempo, o melhor amigo do homem.
a dúvida divide em dívidas
(doidivana dádiva vívida da vida)

vêm as dúvidas, como zumbidos
vocejando em meu entorno e a tudo levantando
lívidas, erínias, mínimas deusas diablitas
a gorgorejar o paz de esprírito

vade-rectum! lhes desinvoco
descobrir-lhes mudas ao simples
descer das pálpebras e
lavar o céu dos olhos
Surge aqui uma figura de cujo batismo eu denuncio
será assim a Etimolaria, e bem-aventurada será.

vocal

     vocação, essa
convocação, essa
  invocação provocante

coreografia

acorda
a cor
do corpo,
o acordo

recorda
a coragem
    corada
da cor

decora
o couro
do coro,
a cura e a
secura
do coração

quero a cara do carinho, o coração e o coracinho
a querida coroa, a cárie coroada, o coringa! curare
- Não, nada de nananinanão de nada, dona danadanadona!
nem garfadas nem garbruxas, um leito de almafadas e alfáceis úlmidas
almafácida, como algema de ovo
algemidos de gelar o osso
um tecido almofadado, calmo, clamufado - clamores abafadados

fada da alma, féerica alma da almofada, alfado da almoface
algumofada bruxa da broxada, minha ochecha echonchuda

plantei alface mas deu difíce
fácil fécil fícil ou difícil? misturado, difácil e físsil
primeira-feira... 
cuidado pra não cair no buraco negro da doideira
aproveitando tudo isto, que é palavra, é voz, som para analfabetos mas também desenho, partitura para recitarmos, ou, finalmente, hieróglifo: escrever seria esse ir e vir de cores recitadas e seus ecos; "são músicas, são das musas".
um apartamento lá no fundo da terra
era estação de sismos então máquina do tempo e tudo
cheia de monstrinhos de outra imaginação
você descia por uma hora, um tempo grande
com a chuva já era frio e cheio de rios e mergulhos
(engraçado não ter lembrado jules verne)
lá embaixo tomar banho quente, uma casa num lago raso, piscina e bom

anuncio o cio, negocio

anuncie o cio
a saia anseia a sua ânsia, o cio cia
esse sinal sem seio
o seu asseio
errei a rua, raios!

- rá rá rá, ria o réu, arria a ré, a rua, oh! rá rá rá, o horror! irra! irra!‏
a) menina
b) ijou o menino
c) gostou, se não gostou
d) morou!
- Tetas tão dotadas, as tuas, todas as duas: estatuetas do tato tido, aí detido.
- Tá doido, tá redoido?
- Redondo?
- Dedo, tá dado.

O Casamento da camisa com o vira-casa da encasacada.



Nós duas
de danadas, nuas
nadando doidas de dar nó
dia dois, às duas.
gravidade da lua, pulos lentos
deitar na parede, e cair
deitar no teto, sentar
quéru mais bagunça só par num gatilista, tendeu nom? boligude no asfalto alto
só pra mor di vê que qui sai da lêtra
ê letrão! aí sim, nóis pega fogo
êh! êh! ehê!
quero-quero
pássarim, eu, sim
quero-quero
teadoro teodora
teadorar dorada
quero sim

elis passarão
eu passarim

na-na-ni-na-nim
só uma pergunta piolha
hoje o dia tá crescendo engraçado...
- Cadê o chiclete? Tem mais um?
- Você chupou!
Andam um pouco, pirracentos
- Esse chiclete tem pimenta!
Três garotinhos vêm subir a mangueira carregada que dá sombra às mesas da lanchonete. A mãe lhes deu, a cada um, um pacotinho colorido de salgados, e eles escolhem orgulhosos o galho onde vão comer.
- Melhor subir sem chinelo! Você vai subir sem chinelo?
gosto quando dizem "fazer sentido"
quase como fazer bolo

- você não está fazendo sentido!

ela tinha os cabelos d'alguma cor que não o negro
seus olhos não eram azuis, ela


curvo-me ante a beleza da anarquia de outrora
era real nestes campos da palavra
quem sabia, eu acreditava
agora vejo invejoso
me rôo de gula ante a fábrica imersiva de outrora
os dias dedicados à simples brinca
sem privilégio aos outros, sem submissão
a palavra livre a correr como espada de uma liberdade perseguida
hoje vejo espuma sair-me
tão viciado nas colagens, no redito
só posso sonhar um dia voltar ao já escrito
só posso sonhar - que hoje eu tanto construo
tento criar um mundo, sair lá fora
e mudar
antes tão verdadeiro
hoje eu odeio de haver o dinheiro, mas não lhe cedo
não me curvo e permito que outros mo dêem
não, eu plantarei meu próprio dinheiro
engolir a revolução para que ela frutifique nos outros
a revolução deve ser interna e externa
a revolução nasce nas varandas
na sacada do primeiro andar
não se basta num quarto dentro de um quarto dentro de um quarto
num computador

a revolução acontecerá e na palavra só restarão suas pegadas
eu tô com defeito
um barulho
no peito

não chora, agora
que só piora

o que ouve no ouvido


a tua testa me testando
os pés pesados me pisando
peitos pintados me peitando

a tua pele, pelada, pelando

não me queixo
olho o olho
(toda língua passa pelo corpo)

a língua do linguado
e ela na goela
coloração
linda coração da cor


teus olhos ácidos
tuas costelas de ódio

caleidoscópicamente
um pé aqui e outro lá


lá fora, no náo-estar-aqui


colosso de rodes
tirar os mamilos (carnaval)
reimplantá-los noutro lugar

barbiezar fotos pornô
bacias hidrográficas
raios, raízes, ramos
veias (pulmão), os dedos
o tempo bifurcando
eu lavei minha própria língua
com lágrimas doces
minhas horas menores
meu relógio, tamanho P

(vejo os outros como crianças pobres
vestindo roupas enormes
com tanto espaço que cabiam
mais umas dez)
amar é como
chuva, vai..
                  saindo
          pra todo lado

quando a gente vê
tá encharcado


(onde foi
meu guarda-chuvas?)
"tantas palavras que sufocam
nem dá vontade de sentir porque nem parece meu
sou invadido de emoções clichês, entro nesse território de que já se disse tanto, que antes mesmo de entrar já sei, já sei de tudo, já sei do não saber;
festa da linguagem repisando tudo!
e me vendendo doces que não quis comprar
eu, que sempre amei aquelas as que menos palavras tinham
sempre me divertia justo quanto menos entendia
e agora todos sabem
e agora todos podem dizer, e é isto, e é aquilo
e esta agonia de não conseguir sentir em paz
porque é muito difícil ser original
quando tudo que faço entrou em seus termos mais literariamente óbvios
e tudo tão previsível
que meus rumos nem já são meus
são dessa vontade alheia, óbvia, externa
e quanto mais me sinto joguete, títere
me irrita, e nem consigo mais falar
afogado nessa rede de fofocas interminável
quando tudo que sonho se passa sempre fora do discurso
e minha felicidade se dá nesse passar à linguagem
esse parto que é o batismo das novas dores que ninguém jamais sentiu
mas hoje só sinto o usual, só piso pegadas já pisadas"
sou pedaço de mim, eu e minha avidez
somos dois
silêncio no cais da vida!
e os navios custam a zarpar
os cabelos soltos, negros
passeando sobre as costas nuas
a palavra-labirinto
uma alma composta de seis paisagens
e uma sétima unindo tudo (japão)
junho e,
eu juro!
sou desses viciados em confessionário
no meu
gosto de selva, de minhocas nas mãos, de terra marrom-tempero no brim das calças brancas,
gosto de mapas de papel amassados dobrados recortados e cheios de círculos nos nomes pequeninos
dívidas de lindt da
comedora de tomate
feito maçã,
nos banhos escuros ela
adora zebras
escavações descobriram a máquina de criar o mundo do poema
que dia - que hora, aqui onde está o sol vocês fecharam todas as cortinas
o homem rato comia quando tinha fome e dormia quando sono
linhas de tempo espiralavam por todo o quarto como teias de aranha enovelando-se
às vezes a porta abria
o homem-rato se encolhia num canto assustado
O indivíduo nessa condição não é como um motor que funciona perfeitamente até que se acabe o combustível e pára de funcionar; é mais parecido com um carro velho que por vezes funciona de maneira adequada, apresenta deficiências, melhora e, depois, deteriora profundamente seu funcionamento e assim vai indo de maneira inconstante.
porque pra mim, muito pior do que o texto é o calor!
...meu corpo evaporava e gritava hmmm!
os poros exclamando com suas mil boquinhas
e meu coração numa panela
cozinhando 
ele conhecia a floresta como uma mulher conhece o marido
o estômago não nasceu na gente
um dia o homem pegou o estômago
e guardou ele dentro da própria barriga

(os nuer)
ele vive num mundo
que perdeu as paredes
   (ele ouve o contínuo)
antes tudo era prédio
o mar vinha e batia
a ressaca, na minha portaria

a praia nasceu ali
onde era o 406
antes tudo era rua
os carros desembestando

um acidente: pam!
a ambulância parou
a maca, o contorno do corpo no chão
a fita de isolamento

e aí nasceu a cidade
os prédios rebentando por entre faixas de pedestre
as minúsculas foram inventadas no século terceiro antes de cristo

(a pontuação e o espaçamento também)
Quero amar a seco
à flor d'água,
teus lábios pintados de azul.

Risca minha pele fria
com teus dedos salgados
mas não mergulha, não fura
esse espelho sem fundo
(não pisa no que eu chamo de céu);

Quero amar a seco
à flor d'água,
teus lábios pintados de azul.


- você não tem um aparelho chamado amorômetro que faz bip bip bip e pronto.

(ué mas e amanhã professora?)
eu não tenho relógio porque o tempo é relativo. as pessoas são relativas. 

(ele faz de novo, faz de novo, tá te fazendo de idiota)
hoje nós temos registrado no conselho mundial de igrejas setenta e dois nomes de deus
te vi esticando a roupa na janela
eu pendurei um lençol e vi
como um espelho você era eu de longe
me vendo esticar lençol e vi
como um espelho sua janela de vidro igual
irmã de nós e eu era o ar
voando como seu nome quando
eu te chamava feliz

cada pessoa é um espelho possível porque
se eu ponho um espelho ali meus olhos entram pelos olhos dela


o céu brigou e não ficou mais em cima
desceu caquinhos de ar em gota
tudo chamou-se azul e brincou

o ônibus pisava nas poças de espelho
as pessoas entravam em guarda-chuvas
e eu ouvi um ronco de fome, lá no alto (juro!)

o homem de havaianas na chuva
seguia sério em sua baita resolução
as havaianas ele levava em sua mão
seus pés felizes espraiados pelo chão
quando o prédio deitou eu andei até a varanda ao lado
com a tesoura de jardineiro abri caminho na rede-para-suicídio-involuntário
mas não tinha ninguém dentro

o prédio deitou para dormir, se cobrindo com lençol-de-obra
os vizinhos caminhavam sobre sua pele e se abra- çavam simpáticos
davam bom-dias baixinho pro elevador não acordar




olhando bem,
é só ar
o vento desmanchando
as nuvens de tempo
- acho que vi uma girafa
um chapéu, um rosto
azul-céu
os olhos
rosa, rosa
as bochechas róseas


lipa
encontrei meus lábios boiando
em formol azul
a (linda) casa
onde ela morava
tinha cabelos
em vez de teto

em vez de
tudo
(e se não sonhamos? 
"sonho" já é palavra.
e se dormimos e...

...e isso nos mancha de sonho (palavra)
transbordando da noite pro dia)
tava funcionando por que-
ninguém tava ouvindo por que você tá me ouvindo?

você é a moeda que eu achei
que eu dei pro moço do carro
daí voltou você, na noite. tá errado...

eu tava só conversando mesmo e de repente eu vi que gostava bem
dei beijo que senão cê fugia toda que que acontece.

eu colho seu beijo com as mãos em concha
-meu beijo eram pontinhos perguntando
ela que disse

uma montanha de coisa descia do teto e terminava no pé de cadeira
você empurra e faz o som, da cadeira

ela foi na suécia e viu a primavera
depois de tanto frio

e eu moro numa gaiola dentro de uma gaiola
ela que disse
chuva de cavalos-marinhos
primavera
ts-ts-ts-tsss

quero um lençol de vento
a céu aberto


eu tenho o coração engarrafado
Para voar
(espelho de fevereiro)

"I dreamed you were in Brazil. One day you arrived to stay at my place, you and ten other friends. It was very hard to provide beds for all.
Entonces salíamos.
El samba era un volcano en el medio de la ciudad. Nosotros tomábamos un taxi para una de sus lenguas de fuego, donde habría buena música y danza. Pero nos equivocábamos y salíamos lejos de la boca del volcano, donde estaba el carnaval en erupción. Caminábamos y la fiesta adentraba nuestros cuerpos, el calor...

Desperté en mi varanda, la luna lle-
"...e ele mergulhou nas pálpebras cerradas dela. Ela dormia, mas em seu sonho foi tomada por um pêso e fechou os olhos. Ela não despertara, mas seu corpo agora via.
O homem desenhou então a dança negra da escrita diante daqueles olhos cegos. No sono, ela lia sem ver, e tudo ao seu redor nascia e lhe envolvia. Então sua boca abriu, e o mar cantou uma canção das profundezas. Os lábios do homem tremiam e suas mãos suavam, apaixonadas. O peito rugia. O coração se embriagava cantando, o amor sorria. O mar fazia amor dentro deles..."
artista plástico?
essa escultura aqui é de plástico?
então não, é.. artista de ferro-
a árvore dentro da terra
o estuário no céu
uma estante de livros cai por cima dela
eu tenho um plano de saúde:
amanhã vou tossir muito
terça-feira vou espirrar

é um plano saudável
tu sabe que eu num tenho nada que me queixá deles não
num tenho memo
não entra no relógio
que eu entrei

você não sei no que estamos se metendo
eu debaixo do amor e o amor debaixo d'eu
quero fazer você sair
         da roupa
                 você sair
      sem roupa
410 d.C.
Roma é saqueada pelos visigodos.

529 d.C.
Fim da era greco-romana e início da Idade das Trevas.
“coisa de amigo, tá ligado.
 eu perdi a cabeça dei três socos na cara dele.”
- é ruim hein. eu não sou o tipo de pessoa que você está pensando não.
isso aí é uma coisa que você não viu, que você não tem certeza.
jamais eu - jamais eu faria uma coisa dessas
olha, você - você não me conhece
não me importa perder tempo
só quero saber dos presentes

é sempre natal
e verão

joga uma bola de neve em mim
quem não seguir esse calendário

Regra N° 18: substituir todo "que" por mar

uma grande parte do dia
de hoje
distraí

tentava pôr ordem na
lembrança

a que foi sonho
a que foi eu
a que foi ela
gosto do seu gostinho
do seu beijo seu narizinho
de ficar gostando do sabor
doce
quero te dar um susto
acabar com esse soluço
hic! hic!
a sua língua pula
de soluço
vou morder ela hein
hic hic nhac!
não te deixo respirar ouviu
minha boca
bebe
a sua
um beliscão no seu nariz
                                     de amor

prendi teu espirro
te fiz engolir o soluço
viro o mar por entre seus lábios dourados

engasga de mim
é a lei
do vagabundo...
meussorvetinhodecreme...
esp era só eu a b rir a nov acalda de cho colat eque e ucomprei!
a nov acalda de cho esp era só eu a brir a nov acalda de cho
colat eque e ucomprei! a nov acalda de cho esp era só eu a brir

ah, meu
ssorvetinhodecreme...

speraassóeuaabrirranovacaudaadechcolatequeeeucomprei!
an ovaca auda d echospera sóeul a briranô vacal dadecho
colatequeeu comprei! comprei! comprei!! anovacaldade chouespéras só euabri r
você é de lamber os dedos
chupei vinho dos teus lábios
teu gostinho de uva

vou te chupar todo o vinho
te lamber o dedinho
morder teu mindinho
saber o teu gostinho
deixa de amor
deixa disso
todo chão tem um início
no fundo do precipício


em cima do teto o teto de água
voando
descendo sobre mim
e o teto de luz
me cobrindo
O prisioneiro bebe, bebe, bebe
de uma caneca sem asa
Olha eu sou quatro quilos mais velho que você, e dois anos mais alto. Não vale encolher a barriga! E nem adianta ficar na pontinha do pé, ouviu bem? Idade não se discute.

Tenho vinte e três anos: dois em cima, dois embaixo, seis que é só gurdura, tô devendo meia-dúzia e o que sobrou eu deixei em casa, lavando.

- Nossa, peguei uma idade que eu vou te contar! Não sara nunca!
- Ih essaí tá todo mundo pegando, não esquenta...
"Eu adoro fazer isso e não interessa muito se sou incompetente ou não."
Mas eu sou o único cidadão livre desta formosa cidade, porque tenho um canhão no meu quintal.
O homem é um microcosmos! Por assim dizer, um resumo da terra e como tal é guiado por leis imutáveis e eternas. Estou de acordo com essas idéias provadas pela ciência. Porém, há as erupções, há os cataclismas!

Ontem, berrei para Lalá:
- Defendo o direito das convulsões sísmicas!

Dorotéia é o meu Etna em flor!
Salve Dorotéia!
Dançarina dos tangos místicos, flexão loira, boca onde mora a poesia.

você pediu meu coração

mas eu só tinha coracinho

não faz carão
faz carinho...
que horas são
quero te ver
onde cê tá
cadê você

meu coração é um despertador
desperta a dor
só de te ver
a luz não é dos olhos
o sol é quente
o tempo não é uma linha, um fio
e o fim é só um número
num papel
o que eu queria
era viver
montado na bicicleta
sem hora de devolver
- Como é que tá o céu hoje?

Ela estica a mão pra cima, fica na ponta do pé, tentando pegar.

- Tem um furo em cima, ó. Buracão mesmo.
De dia o buraco desce e encosta na minha cara toda, quente.
Daí eu tateio, tateio, atrás duma sombrinha...

- É céu,
céu é o nome do buraco
"ai, ai ai ai
minha amada
ai, que carnaval

nosso amor
vai acabar...

em água

e vai sair no jornal"
"e cadê a sexta-feira?
se ela tá na otra beira
dessa piscina de hora
que não vai acabar?

eu não aguento de coceira
esperei minh'a vida inteira
um amanhã que só demora
que não me deixa respirar?

ai, ai ai ai
eu vô me afogar!"
tô num mar sem fundo
a areia só vai daqui-ali
ela chegou
em uma nuvem doce, doce
foi o vento que me trouxe

só não rima com a-

é febre, o meu calor
e o seu é pura cor
ou ardor
ou ar, ou dor
um céu em flor

não tenho nem onde pôr
meu calor é
febre

o seu é amor

(água morna,
borra mim)

não vejo
fundo

a sua nuvem,
doce, doce

o céu é amor
um avestruz, só
pra nadar pra baixo

(os pés no céu
pra dar impulso)
o amor que tu me destes
era pouco e se quebrou
o anel que tu me tinhas
era vidro e se acabou
                         arreben
      teu corpo                 tan
                                          do

violento,
            violenta

        em marés
violetas

                  contra os meus dedos

escondi meu coração
no FREEZER





(... quem que tirou da tomada?)
" não vem com essa
  você não fez por merecer
  eu não sou infantil
  infantil é você "
você me
tira o
ar

me enche dessa
sede de você

quando é
que eu vou
te comer

na sua cama
ou
num céu
de amor
não chora, namora-deira
deixa o teu corpo con-tar
o que ele acha do mar
o que ele acha do mar, de amor

não chora, namora-deira
deixa o teu corpo can-tar
o que ele acha de amor - no mar!
o que ele acha de amar
medo do amor sair
pela boca

do amor
vestir
meu corpo

vestir de
andré

eu não sou
o número
certo

não tem número
é


.

(imagina se
o amor levanta
e eu cai?)
eu te amo mas você está louca
só pensa na minha boca
não come não dorme não ama
não sei do que você reclama
são poços de petróleo
com a boca toda vermelha
lágrimas negras móem, róem, dóem
eu queria hoje hoje
provar teu gosto fim
tocar fogo na tua língua
com os dentes
feito punhais de febre
os caminhos do corpo
dela...


perdi a trança
soltei
deixei a trança fugir
dos meus dedos
você é um anjo, só lhe
falta um par de asas
me embolei na voz de mel
que me chamava: andré... andré...
embaraçados, mas
o teu perfume sempre ganha
eu, todo enrolado
atando nós
nos teus cabelos
eu quero a sorte de um amor tranquilo
              ser como um triste vampiro
com sabor de fruta mordida
nós na batida, no embalo da rede
matando a sede na saliva

ser teu pão, ser tua comida
todo amor que houver nessa vida
e algum remédio que me dê alegria
eu quero ser como um triste vampiro
voando pelado pela cidade
fazendo zum zum zum zum zum zum zum
com minha capa sombria
a mente tão fria

atrás da felicidade
morde mais forte
que o vermelho
não sai

quando bater à quinta, à sexta-feira
quero os teus dentes de amor
latejando
em mim
eu só queria
que não amanhecesse o dia
que não chegasse a madrugada
eu só queria amor
amor e mais nada
não pisa no que eu chamo de céu
não
não me machuca
com os olhos

não diz pra ninguém
não fála
não canta

não diz não

não pisa no céu
não me ama
isabel, tão bela
ela, no papel

de mel
um beijo, desejo
isabel

isabel
tão linda
bem-vinda
e o teu olho pisou no céu
sem pena.
calma que
assim pode furar

vendredi vênus afrodite



cada lua tem quatro amores
um de sangue
um bebê
e dois fazendo amor


teu coração,
eu nem espero para abrir
vou logo rasgando a embalagem
somando pétalas de flor
um algarismo para cada amor

e eu mendigo, milionário
da sua paixão sem cor
"te deixo sete beijos
que é para durar a semana toda"
o mar é
um céu de água



cardumes
de anjos

lá onde você mora

o sol é uma boca brilhando
sem língua
com língua

na sua cama, sua
lagoa de fogo
o céu é um chão
que só os olhos pisam



e você é um anjo
um anjo pedestre

descalça teus
olhos suados
pra não dar chulé

descalça esses
sapatos sem
horizonte

o céu não é um teto de pedra
não tem óculos nem
chão
é azul
(e um bolo apetitoso
de manhã)


intrometidinha
espionando
detrás do céu, os
astronautas voando

mergulha na cama e vê
os astro-nautas
de submarino
no fundo da noite

o céu é um mar raso
dá até pézinho
vem! a água tá morna
vem!

põe teus olhos de pato
e nada
pra cima, só nada.
Teu corpo tem um céu.

- vamo brincar de astronauta?



... tira a roupa então
tá de manhã, a preguicinha
na cama de sol, meu sono
tudo se me desmanchando
antes
do despertador
o céu é todo um bolo
com recheio de astronauta

não sabe brincar?

o teu amor é meu
esconderijo

(atrás da cortina
debaixo da
cama)

só não vale ficar de altus
a língua
essa
fatia de carne
lambida

(violando os
lábios cerrados)
essa, essa
intrometida
o teu amor é feito a luz
da lua cheia
contra meus medos do escuro

ah minha amada, mas quem me dera
fosses igual uma lanterna
com um botão de desligar
é uma gata e quer comer minha língua-gua

eletrodomesticado

eu quero o amor luminoso,
como um abajur
com botão liga-desliga
por que os teus lábios
são tão difíceis de beber?

teu beijo é antigo
até: empoeirado

em cima ou embaixo?



amor
debaixo do
eu

me flagrou dormindo, com seu amor
inimigo

foi uma longa manhã
me cobrindo
com a língua

dormindo
no leito
dum rio
de beijos
desabotoei seu coração
botão por botão
e agora ele não fecha mais

de cabeça pra baixo

o teu amor medroso
se escondendo
debaixo do meu

a praia

fui na tua boca tomar sol
brincar de castelinho
com teu amor de areia

ai e você
dentuça, a bóinha nos braços
pisando descalça
nas minhas juras

é uma praia nudista, baby
tire toda essa roupa
não sabe brincar?
um castelo de
cartas
esp-atif-ou

ele foi presquina
fechou foi na casa
a ponta-scapou
desm-oron-ando

no fim
ouvindo as imagens do
homem que não
usa
nossa
língua

mas usa.
maior que castelo
quando
me gritar

o grito
maior que mim
me rasga a
voz

mas um
malabarista -

o chão entorta
de bom
de
rodando sim

lembrei que
os urros
e palmas
não falam

quando tu é
sim é eu é
dúvid
é humano

sai luz
colore corpo

precisava dizer
(precisava lembrar)

a gente
é menos
sozinho

quando canta
Por favor,
cem beijinhos.





- não?
a menina
sua boca de baixo
sangrando
UM GRANDE BEQUE
de amor
compro namorada com ouvidos
eu só queria ir pra cama
encher os lençóis de beijo
e beijo e beijo nas saudades

amava ,
o travesseiro transbordando
o cheiro dela
minha fronha querida
injeções de boca

uma vitamina de beijinhos
dou cursos de
ficar nu
tomar banho
coçar
- Quieta!
Me dá a boca.
Agora.
o costume de
deixar sua boca doce

uma vítima
entre lábios de chumbo

que vontade de engolir
os beijinhos, tantos!

mas deixe de
amor
me enrolei na pele dela
quentinho mas
nada

a mulher não tinha cheiro
nudez tão
egoísta
o elefante atômico
em cada pata um já-nem-sei
ela andava torta de desejo
meu amor
isso não são flores
beijava a senhora gorda
desabotoava seu coração
com meus dedos

mas o fecho era na frente
dobrei, bem dobradinho
aquele coração
guardei no meu bolsinho de botão.

A senhora gorda não viu.

sentou em mim,
em cima do meu coração
de frango
microondas de cores
cozinhando sua
pele tinta

(as coxas de franguinha tenra
assando para meu jantar.

mais um minuto
daí faz plim
e é só cortar.
o bebê-elefante
molhando a tromba
na tinta,
azul

mergulha o nariz
na água, no sal
no gelo.
o cabelo prendeu na moldura e
choveu,

um incêndio perfumado de xampu.
<< Brinco de desenhar na pele de marcela, unir os pontos, ela diz: "como un mapa, los lunares serán las ciudades, este grande la capital". O pontilhado me lembra diagramas de corte de vaca - picanha aqui, a fraldinha sai do ventre, o lombo se chama contrafilé - como uma cartografia carnívora; mas o mapa vira um lago-espelho, quando as árvores têm dupla copa e não raízes: teu corpo, o desenho refletido das constelações do céu >>

- Las tres versiones de Judas,
BORGES
eventualmente eu
fiz um furo na alma
por onde saíam, paridos,
meus pés gelados
de manhã explodem foguetes
e na tardinha um bom rojão
o domingo é feito de pólvora,
fumaça,
e copos plásticos pelo chão.
o passado estava de ponta-cabeça, eu vi.
um gesto:
que meus olhos duros desmanchem, um dia

mas não há a voz,
há só a lenta digestão
sou uma imensa jibóia trocando de pele
quando em desdizer as maravilhas que os filósofos de plantão choravam ao vento, lépidos
que tudo mentiras e vago ar, o vento soprava entre suas palavras ocas e as tiras de papel fatiado pela lâmina cega, coração desmesurado
quando em afogar-se em um mar de tato e novos olhos, e batizar-se surdo-mutismo por desejo, movimento mutista, mutante
eu trafegava meus próprios pés, na areia inexplorada, desenhando como pontas de dedos sobre faces inalcançadas, sonhos trêbados, trôpegos
um corpo construído em nós e soluços, em espremer-se contra um espelho, amassando manchas de gordura e carne na tela fina, na imagem retorcida e deformada, em si
nus e crus, despidos, quando o vento soprava trafegando entre árvores e prédios e nos invadia, pelas janelas, pelas portas entreabertas
lambendo nossas peles e nos limpando de tudo que não nós, de todos desenlaces fáceis, de todas as fugas
uma folha seca atirada contra o muro, esperneando para acordar gritando: vida
minha pipa fantasma
medusa os tentáculos de barbante
flutuando etérea, éter
surfando atmosfestas
esquivava lufadas de
vento, deus da paisagem

querida,
dançavas belamente um desespero
fugindo às correntes que eu laço, sempre
em teus calcanhares.

ásperos dedos de
plástico
caminhavam pela sua pele
camaleoa
leoa
nas curvas levas como vales
curvas vivas
ondeando olhos no lavando imagens
lentas
ásperas
mãos de zinco e ferros
tossiam
imprimindo tristas pequenas marcas
que lha diziam
jamais
a escrita tem borracha demais,
queria máquinas de escrever
canetas tinteiro (sonho platônico, jamais lhes provei)
olhar um poema ver versos cortados, rimas apagadas refeitas
apagadas refeitas
uma grande estrofe de indecisão, toda suja,
as fibras do branco aparecendo, vincos, manchas empenadas

ver o processo nas palavras
um poema honesto
sem esse limpa-tipos infinitamente implacável
que é passar a limpo
(não quero às limpezas!)
desenhei meu estômago e vi
um poema feito das sílabas de sanduíche

o que é livro, palavra
só minhas mãos, os dedos (cansados) falam
apertar massa espalhar massa quebrar
vi tijolos quebrados no chão e pensei
quero quebrar tijolos, o que acontece, quais as formas
vi pedras no chão, quero pegá-las tocá-las
que palavras o que é palavra
tro-peçando dizen-do cada sílaba com esforço
com a língua mais interessada no ar e no apalpar o ar
do que nas letras desenhadas no som que som só quero
matéria
(um poema feito de argila)
desenhei meu estômago
vomitei
apagando tudo com muita força:
tirando as coisas erradas talvez
limpando, possa fazer direito então
(alimentar o papel com as comidas certas)
pisca, página
recheada de pizza e
não-vai-me-vencer teimoso
(como uma que não dormia e só chorava, dando a volta ao mundo no barco, na sua barriga-tronco-peito-eu gêmea)
piscinas de óleo, escorrem, borbulham
sorrindo (piscam, estrelas de borracha)
bananas e lentilhas não tapam o
chão preto, a sombra
recorta bonita que linhas quebrando
vendo as formas dum paralelogramo e
os estilhaços do espelho quebrado
todo dia pisam num, são sete anos
mas o espelho espatifou e os cacos voaram
pequenos triângulos pelo quarto, eu os vejo por todo lado
da porta posso ver tudo de longe, as manchas se unem, e funciona.
era leve,
uma janela esquecida aberta, cheia do calor da manhã e, um sopro fino entrava carregado dos mumúrios dos carros correndo, como ondas batendo,, as cortinas vacilantes roçavam o assoalho carinhosamente, varrendo pó de lá para cá e, nossas pálpebras indecisas, dia novo e luzes elétricas deixadas acesas, pratos do jantar esfriavam na mesa, sempre
os dedos pousados mais pareciam passageiros do gesto contínuo como o vento lavando carícias das folhas das árvores, coçando calmo torsos e faces, sem pressa
um suspiro subia, e descia, como discos rodando, os vinis chiando sob agulha mas sem música, só: o silêncio cheio
em dois minutos ela, leve como , e certeira,
permitira às suas mãos beijar o branco, e amá-lo, o branco silente

fora ela ou sua voz, tão leve
quatro lágrimas, cada uma dói, nenhuma é preta
o pilar negro não se borra,
nem com as mais finas sutilezas..
a voz sopra, mas desenha no ar, quase desenha em mim
quero desenhar nos braços no olho na vida
o branco silente, é tão lindo

(senão! é como amar uma mulher só linda: uma mulher tem que ter qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora, uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher, feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor e para ser só perdão)
eu queria aprender a dançar com quadros

(hoje dancei muito o esfrega-esfrega preto e branco
como nos filmes antigos de swing
as meninas jogadas para cima e os pretos americanos
ando meio preto)
as manchas pelos muros são
de dedos sujos
apertando paredes finas como esquecidos

lembro das crianças comendo bolo de chocolate e limpando na camisa, na barriga redonda

um espelho para acertar as
olheiras de maquiagem
e sair da mina de carvão
não havia ouro mas
os passarinhos vêm morrendo, todos
esgotamento gota
da boca vaza esgoto
lembro dos canos, dos tubos com sombra
um lado branco e no outro deito e escorrego
como um tobogã manual
sem água (a não ser suor)
esgotado
como linhas ocas e
buracos
um tronco vazio e
os copos
secos

o nada acordou

e via tudo enquadrado

manchava meu
olho manchava

a chuva
a listra vermelha

manchava janelas
o branco

dos olhos teus
cinzas, chovendo

na janela desenhos
chovia

as manchas borradas
o batom apagado

mas

às vezes meus olhos
duros de vidro
embaçam
o contorno dos teus beijos
nunca saiu

nem
lavando
passeava nos labirintos e
cuspia
soluço chato

eu era uma máquina de não-andar
eu só via mas
soluçava, oh! soluçava
quantos caminhos, eu queria gritar

labirinto e as mãos tateiam
dizendo às mim
jasmim
dizendo imagem
dizendo simples: veja e
labirinto (ande)
ouvi
os primeiros ouvidos
de um bebê
( que chora e ri
indistintamente
pelas escadas e )

não ao
som
com S

não à
memória

hoje você nunca existe mais e amanhã
é uma corda puxando o pé
à noite. quando janto de novo querendo despensar
meus quilômetros de grafite nas mãos e no rosto
e na boca e nos olhos sujos lindos
como se tivessem nascido agora
antes da palavra
havia
linha da
vida
mão -círculo e
tantos dedos saindo
em retas - e para onde

eu sei que
há metades que
em vazio
se completam

branco branco
gigantescomente
pesa
por três vezes
a lua sorriu
vestiu-se guilhotina
e apagou
como um céu escuro

as estrelas, pequenas
tremelicaram úmidamente
me querendo constelar,
mas eu nunca tive telescópio
sou um tanto míope
e gosto de céu centrado

três vezes
e só na terceira
olhei pra cima
e a vi

lua, lua longe
lua sempre
(o brilho grande, tão
mórbidamente
maior que tudo)

adeus à noite
talvez no sol haja luz
para tecer
uma nova via (láctea)
uma nova vida
queria chorar, mas
era domingo
então

andou de ônibus
a lata de café abriu
bocarras de aço
engolindo meu sim

dentro
os gemidos ecoavam
como num banheiro
as paredes desciam como
ampulhetas rachadas
soterrava minha cama meu
pé óculos cadeira o relógio
que meu avô perdeu..
era dia infi
nito
quando acordei
(embalsamado)
descendo por uma
corda de papel higiênico
num poço de
desejos

não tenho moeda mas tenho
medo
só peço um dia
sair daqui
aponta os pés
juntos, tesos,
de braços olímpicos para trás
o salto Milimétrico
heróico, perfeito
diretamente na
poça de marshmallow
não precisa respirar só
esqueça
tudo branco
mole
doce
outro dia li dos amortecedores e imaginei
queridos deuses tecendo nossas paixões
o homem de
olho azul, e
camisa azul
feliz como quem almoça

conto do homem que chorava

sentava ao nosso lado, as
lágrimas escorregando, sempre
os dias
as manhãs
não güentei -
peguei-lhe um ferro
preguei-lhe a cabeça
várias bordoadas,
e dele não saía mais água mas
de mim