A língua chama asim, e só este chamar já guarda uma dominação.
Palavras que não designam bem a cor, a luz: flutuam, se aferram mais a significados que à pele bonita de um povo.

Fiquei branco de medo, lívido; exangüe. Branca de neve, de gelo imortal no topo das montanhas e dos polos frios, ou do inverno recolhido. Página em branco, virgem, pronta a ser preenchida. Voto em branco, chapa branca, sem cor, sem partido, indiferente. Cheque em branco. Brancura dos lençóis, dos lenços, dos jacelos de cientista e de hospital; brancura da assepsia, da higiene. Papel higiênico. Não deixar passar em branco, imauclado. Xi, me deu um branco agora. Leite branco dos ossos brancos, via láctea e galáctica e a luz branca da lua e de nossas lâmpadas fluorescentes. Brancos dentes, branca porra do homem, semente da vida.

Mandar esfregar com sabão forte o filho que sai mais escuro, em meio a claros, clarear do pigmentao diluído, até tocar no albino. Nudez da pele fina sem o sol, ser escondido de caverna e noite. Pálido. Passar pó-de-arroz.

Arroz com feijão.

Mercado negro, anos negros, o céu negro da noite. O escuro da caverna, chamar escuro e escuridão. Meu lado negro. Magia negra. Negação.

Eu a rigor sou é amarelo, cor de pele.

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