Procuro, a brecha, a falha na parede, na rocha rija que nos impede o gozo, o vão em que me enfio, corpo e alma, cunha humana, cinzel para abri-la e vê-la jorrar. Completo estou, de fantasmas serenos, que mais valia partilhar, estendê-los em varal pelo mundo, em sua trama de arames que impede a rocha de se fechar. Mais urgente então, encontrar o ritmo, e, aos solavancos, fazê-los sair, um a um: vesti-los de letras, estátuas de tinta, cristais duros que se encaixam, tomam rumo, formam-se mosaico e quebra-cabeça. Nenhum nexo estas letras em solto, mas o que aprendi: expandir, multiplicar, deixar o duro ritmo das estacas tomar conta, e a trama, impossível, se deixará formar.

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